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Viagem à Europa


Em plena crise, na qual todos sofremos as suas consequências, sempre somos dominados pela surpresa resultante das multidões em movimento.

É certo que aqueles que viajam esbanjando aparente saúde e bem-estar em comparação com os habitantes do planeta é bem reduzida.

No entanto, no olhar observador de alguém que labora em serviço social e na busca de solução para os problemas da miséria que devora milhões de vidas estioladas pela fome, pelas epidemias, pelo abandono social e econômico, avultam, não deixando de chamar a atenção.

As cidades famosas e mais caras do mundo, assim como as praias e lugares exóticos dos diversos continentes, o vaivém de pessoas apressadas, umas sorridentes das venturas vivenciadas, outras carrancudas e agressivas por fatores de várias ordens, apresentam uma paisagem humana muito especial.

O turismo dos milionários é feito em hotéis de preço exorbitante, em iates e automóveis de elevadíssima importância, acompanhados de servidores que lhes conhecem as necessidades e paixões, enquanto o da classe média é espalhafatoso, com muito ruído e extravagâncias que não se permitem nas suas cidades de origem.

A verdade, porém, é que os hotéis estão superlotados, com reservas antecipadas de meses, por ocasião de determinados festejos e comemorações.

Os aeroportos e outros veículos de condução coletiva encontram-se sempre abarrotados, os restaurantes superlotados, as comidas apressadas e algumas reaproveitadas, para o deleite de muitas horas de viagens e poucas de repouso.

O mais surpreendente é a área que diz respeito às compras. Quinquilharias ridículas denominadas como lembranças, para serem oferecidas aos amigos que ficaram, são encontradas em toda parte, e têm mais o objetivo de exibirem o ego daqueles que as adquirem do que outra coisa.

Os ricos e excêntricos, no entanto, mandam fechar as grandes lojas, a fim de serem atendidos com exclusividade, postam funcionários em filas intermináveis nas butiques da moda, a fim de adquirirem os seus valiosos tesouros.

No entanto, ao lado da extravagância pulula a multidão dos invisíveis que não se preocupa em constranger e envergonhar os poderosos turistas.

Seja em Paris ou Londres, Roma ou Milão, Zurique ou Berlim, Praga ou Moscou, eles estão enfeiando a paisagem de beleza e mentira, clamando, em silêncio ou não, por socorro, pelas migalhas que caem das mesas fartas, criaturas humanas que também o são.

Ninguém os percebe, mas os execram quando derrapam no furto e no roubo, para matarem a fome.

Infelizmente, ainda vivemos o período de Jean Valjean, personagem de Os miseráveis, de Victor Hugo, que foi preso por longos anos pelo furto de um pedaço de pão...

Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde,
coluna Opinião, em 18.5.2017
Em 19.6.2017.

 
     
 
 
 
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