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24/04/1954 – 50 anos de sua primeira palestra na Federação Espírita do Paraná


Memórias de Nancy Westphalen Corrêa (Sociedade Espírita Abibe Isfer)

“Era a noite do dia 24 de abril de 1954, quando comemorávamos o aniversário do Lar Icléia, localizado onde funciona, atualmente, a Escola Profissional Maria Ruth Junqueira.

Participava, então, da UMEC - União das Mocidades Espíritas de Curitiba e naquela noite estávamos próximos à escadaria da antiga Sede da Federação Espírita do Paraná, na Rua Saldanha Marinho. Junto aos demais companheiros da mocidade, ali aguardávamos o início das atividades, quando um eminente orador do Estado de Goiânia viria proferir uma palestra.

O jovem Divaldo Franco fôra convidado, pelo Movimento Espírita do Estado de São Paulo, na pessoa do sr. Gonçalves a estar presente no Paraná, onde deveria proferir palestras em Paranaguá e Ponta Grossa.

Lembro-me nitidamente da imagem de Divaldo, entrando pela porta principal, acompanhado de João Ghignone, Abibe Isfer e De Ferrante, que o foram buscar no aeroporto.

Estava frio. Divaldo vestia um terno de meia lã de um bordô claro que acabara de ser presenteado pelos confrades de São Paulo.

Vindo em nossa direção, perguntei-lhe:

- Você é o conferencista? - ao que ele respondeu:

- Conferencista não, porque não irei apresentar tese. Apenas irei proferir uma palestra.

Impressionado pela postura do jovem baiano, nosso grupo assentou-se nas primeiras cadeiras do salão de palestras públicas.

Após as preces e apresentações iniciais o ilustre convidado goiano iniciou a sua palestra, todavia, decorridos aproximadamente vinte minutos, parecia não conseguir ir adiante na tarefa proposta. Foi então que o Sr. João Ghignone, levantou-se na tribuna e apresentou ao público presente o jovem moço vindo de Salvador, Bahia, dizendo:

- Tendo em vista que nos restam, ainda, alguns minutos da programação, passamos a palavra a Divaldo Franco, que nosso confrade fulano de tal de São Paulo nos enviou.

Naquele momento confesso que pensei:

- O que esse moço irá nos trazer?

Divaldo iniciou sua fala da qual a memória me leva a ouvi-lo novamente:

- Irmãos, bem amados!...

Com essas palavras, Divaldo eletrizou a platéia, conquistando dela um silêncio imediato e impressionante. Estava, como disse, na primeira fila, ouvia-o com tal atenção que houve um momento em que parecia não sentir os próprios pés. Essa sensação foi algo presente para alguns companheiros naquela noite.

Após o encerramento Divaldo aproximou-se do nosso grupo e disse-me em tom afirmativo:

- Você irá, amanhã, assistir à minha palestra em Paranaguá.

A mocidade de Curitiba reuniu-se no dia seguinte, 25 de abril de1954 e lá fomos nós de trem até à histórica cidade do litoral paranaense.

Em Paranaguá, Divaldo apresentou-se em Emissora de Rádio e em seguida fez visitas ao Centro Espírita local e respectivas obras.

Na volta para Curitiba o Sr. Abibe Isfer ofereceu-me carona em seu automóvel. Eu vinha no banco traseiro e Divaldo Franco à frente com Sr. Abibe na direção.

Houve um fato marcante em minha vida nesse trajeto de retorno à Curitiba. Ocorreu que em determinado trecho da estrada paramos para comprar banana-da-terra, uma fruta de minha predileção. Quando entreguei o dinheiro ao Sr. Abibe Isfer para pagar a compra, esse respondeu-me:

- Não precisa senhorita Nancy, a partir de hoje você será como uma filha para mim.

Esse fato oportunizado pela vinda de Divaldo ao Paraná e seu convite para ir à Paranaguá foi um marco na minha trajetória de trabalhadora junto ao Movimento Espírita do Paraná até esses dias.

Quatro dias depois da partida de Divaldo, recebi um cartão informando que iria retornar ao Paraná brevemente.

Para nossa alegria, Inúmeras vezes o amigo “Di” , como o chamávamos nos tempos da mocidade, retornou ao Paraná, brindando-nos a todos com a beleza da mensagem espírita, mas das tantas reflexões por ele trazidas, há uma que está indelevelmente registrada em minhas memórias:

“Irmãos, bem amados! A doutrina Espírita não é uma doutrina a mais. É a verdadeira Doutrina que nos conduz até Jesus””

Fonte: Jornal Mundo Espírita - Abril/2004

 
     
 
 
 
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